Blog do Roberto Moraes
67 anos, professor titular "sênior" do IFF (ex-CEFET-Campos, RJ) e engenheiro. Pesquisador atuante nos temas: Capitalismo de Plataformas; Espaço-Economia e Financeirização no Capitalismo Contemporâneo; Circuito Econômico Petróleo-Porto; Geopolítica da Energia. Membro da Rede Latinoamericana de Investigadores em Espaço-Economia: Geografia Econômica e Economia Política (ReLAEE). Espaço para apresentar e debater questões e opiniões sobre política e economia. Blog criado em 10 agosto de 2004.
segunda-feira, abril 06, 2026
Relação entre dados, infraestrutura digital, IA, novas forças produtivas e um projeto nacional de desenvolvimento
segunda-feira, março 30, 2026
A inovação tecnológica e a Era IA+ no 15º plano quinquenal chinês (2026-2030)
A China usa o planejamento de curto, médio e longo prazos de uma forma que merece registro. Não se trata de um plano formal e burocrático, como a maior parte dos nossos planos, via de regra, muito sofisticados e pouco compreensíveis, sobre onde querem chegar e como pretendem alcançar os resultados.
Os planos quinquenais chineses percorrem um processo histórico que se iniciaram na década de 50. Nesse percurso os estudiosos do tema identificam que os planos chineses com periodicidade quizenal tiveram fases ou etapas de desenvolvimento. O 15º PQC pertence à quarta fase.
É importante destacar que os planos quinquenais chineses estão cada vez mais simples, fáceis de serem interpretados, claros e indicando com nitidez as prioridades e qual (is) será (ão) o(s) “motor(es)” para torná-los
viáveis e reais no prazo definido.
Assim, resolvi fazer uma leitura en-passant sobre esse último plano quinquenal chinês (15º PQC: 2026-2023), lançado neste mês de março e que tem como meta econômica, um crescimento do PIB entre 4,5% e 5%, já para este ano de 2026. Para não me estender e por considerar que já há outras boas análises sobre o 15º PQC [1], direcionei o foco das observações (também por conta de meus interesses de pesquisa) para as inovações que têm relação com a tecnologia e com a cadeia da economia digital incluindo a Inteligência Artificial (IA).
![]() |
| Imagem gerada por IA (Gemini) a partir do texto com prompt artístico de Wellington Abreu. |
As diretrizes gerais deste 15º PQC estão na autossuficiência tecnológica, inovação industrial, transição energética, aumento do consumo interno e bem-estar social. Assim, os chineses pretendem superar o que ainda resta de dependência tecnológica, focando em especial na tecnologia avançada de “microprocessadores e da Inteligência Artificial”, áreas em que já vem conquistando bons resultados. Assim, agora, o eixo passou a ser a promoção de “novas forças produtivas” a partir da IA, computação quântica, 6G e veículos elétricos (VE).
A diferença da China e EUA na direção da inovação e da IA
O PQC (2026-2030) propõe o que chama de “arquitetura
das novas forças produtivas” e um crescimento com alta qualidade. Destaco os
itens: “China digital, tecnologia quântica e Era IA+” com investimentos em: interface
cérebro-máquina e chips neurais dedicados (telepatia); IA corporificada; uso em
alta escala de robôs humanoides semiautônomos, algoritmos de decodificação de
sinais, banco de dados linguísticos etc.[2]
O PQC (2026-2023) já parte da premissa da Inteligência
Artificial (IA) considerada como fator de produção (junto com terra, trabalho e
capital) com uso de chips (microprocessadores) de alta performance mais as
infraestruturas de governança de dados que incluem Bolsas de pacotes de dados, uso
de telecomunicações com infraestrutura digital de redes, capacidade de
computação, datacenters (nuvem) e constelação de satélites em órbita baixa.
Como base para a “mudança de paradigma e infraestrutura para
a Era IA+” o PQC lista três direções: Rede Nacional de Dados “confiáveis”;
Integração do Poder Computacional com clusters gigantes de inteligência
computacional integrado à rede de energia verde; Inovação algorítmica com
arquiteturas de grandes modelos universais e setoriais, atuando em paralelo,
mas focando cenários de alto valor.
Os planos e modelos chineses para a cadeia (força) produtiva
da Economia Digital, incluindo a IA, diferem bastante dos EUA. No caso americano
as orientações se orientam e se sustentam nas decisões das grandes corporações
de tecnologia (Big Techs) e no mercado de capitais (ou capital de risco) que
refletem o controle e a hegemonia financeira via mercado.
PQC como inovação de gestão, financiamento estatal e participação privada com orientação para a economia real, bem-estar da sociedade e IA como utilidade pública
Enquanto isso, o plano chinês, se calça no planejamento e no
financiamento estatal (articulados nos três níveis) que também tem participação
expressiva de companhias privadas, mas seguindo o plano governamental (PQC).
Além disso, o mais importante é que o plano chinês se orienta para a
materialidade da economia real das forças produtivas da indústria, consumo e os
serviços de toda a natureza, incluindo o bem-estar da sociedade com ensino de
qualidade, saúde e diagnóstico e cuidado de idosos.
O avanço para a AGI ou IA de propósito geral (Era IA+) e da
infraestrutura de dados chineses, não se circunscreve à imbricação e aos
interesses do rentismo do Big Money de Wall Street que, atualmente, são os
primeiros e maiores usufrutuários dos avanços da digitalização e da
plataformização que, sob a racionalidade neoliberal foca, quase exclusivamente,
nos ganhos de produtividade e na prescindibilidade humana com substituição da
força de trabalho.
Além dessa distinção, para viabilizar os objetivos da China,
o PQC fala em “inovação do Estado” com formação de vanguarda de seus recursos
humanos, da pesquisa básica de alto risco e da formação de talentos com financiamento
de longo prazo, articulação de forças estratégicas entre universidades e
infraestruturas, a constituição de consórcio de inovação com empresas líderes
de tecnologia e com a integração com as PMEs entre outras ações.
O 15º PQC fala ainda em ampliação da “exploração de
profundidade” tanto na terra, quanto no mar e ar (estação espacial lunar, extração
e mineração em águas profundas e perfuração oceânica) o que expõe um processo
preocupante de expansão do extrativismo.
Na prática, esse ponto do plano traz contradições com os
projetos de eletrificação que surgem com a chamada transição energética e verde
que apresentava como horizonte a substituição paulatina da matriz energética e
também para dar conta do aumento do consumo de energia que produz os efeitos nocivos
e já conhecidos sobre o clima no planeta. O plano mostra como o discurso de
superação das fontes fósseis pelos renováveis parecem ainda muito distantes, em
cheque e em choque em todo o planeta.
Há ainda várias outras observações instigantes no 15º PQC (2026-2030),
tanto nos aspectos da inovação, economia digital e IA quanto nas outras questões
envolvendo a “nova matriz industrial” (otimização da base industrial tradicional);
a “expansão da escala da indústria emergente” (polos de baterias de nova
geração, aviação comercial, biomanufatura e veículos inteligentes), quanto a “incubação
do amanhã com a indústria do futuro” (avanço nas pesquisas sobre fusão nuclear,
interface cérebro-máquina e IA corporificada).
Porém, o objetivo deste texto foi o de contribuir trazendo
uma síntese sobre a direção que os chineses planejam e já executam no período
até o ano 2030. Assim, vale destacar como os chineses enxergam a infraestrutura
digital (microprocessadores, capacidade computacional, redes e data centers)
como base para a IA, AGI (ou Era IA+) para as novas forças produtivas. Na
contraparte, o plano parte o 15º PQC parece se ancorar na ideia da IA vista
também como “infraestrutura de utilidade pública” de um todo que seria o “Sistema
Operacional Nacional”.
Referências:
[1] Um bom histórico sobre os planos quinquenais chineses e também
boa análise geral sobre o 15º PQC foi feita por José Renato Peneluppi para
revista Focus da Fundação Perseu Abramo, em 24 mar. 2026. Disponível em: https://fpabramo.org.br/o-novo-plano-quinquenal-da-china-por-jose-renato-peneluppi-junior/
[2] A China já é o maior produtor mundial de robôs industriais, ultrapassando países como Alemanha e Japão.
sábado, março 28, 2026
Estreito de Hormuz: espaço de disputa Irã x EUA repete cobrança de pedágios dos canais do Panamá e Suez
Hoje, se tem clareza como esse fluxo tem relação com os petrodólares e todo o mercado financeiro globalizado, para além do custo do barril de petróleo e dos seus derivados.
E tem mais: uma cobrança de pedágio que não prescinde de uma grande e cara obra de engenharia como foi no caso do Canal do Panamá com um porto em cada lado.
Não é controle de fluxo só de energia móvel como petróleo e seus derivados, mas também de dados estratégicos dos países do Golfo com os cabos submarinos que os interligam às nações do Oriente e do Ocidente e que passa pelo Golfo Pérsico.
PS.: Ao lado e abaixo um mapa do Estreito de Hormuz e outro mapa que mostra os cabos submarinos que passam por aquela região.
PS.: Postagem original no perfil do FB deste autor em 26 de março de 2026.

segunda-feira, março 23, 2026
Colossal extrativismo de dados
Já comentei sobre essa realidade aqui quando disse que fluxos maciços de ados ajuda a tornar nossa internet mais lenta, além de ser um uso descarado de conteúdos alheios para fins conhecidos.
Tenho usado como referência dessa observação o meu blog pessoal que existe há mais de 21 anos, embora, ultimamente, esteja fazendo bem menos postagens, cerca de até duas ou três mensais em média, apenas.
Nos últimos 30 dias foram 1,2 milhão de acessos, sendo 331 mil acessos num único dia, 01 mar 2026. Não tenho e nunca tive nenhuma ilusão sobre interesse em postagens específicas do blog. O fato se deve ao uso dos conteúdos para treinamento de máquina (Machine Learning) para uso dos modelos de linguagens de máquina e processamento em busca de padrões para gerar repostas nos chatbots tipo Chat GPT e outros.
É uma colossal extração de dados e de valor. Extrativismo Hi-Tech relativos aos dados e suas correlações que é semelhante à extração de recursos minerais, como já tem sido amplamente discutido, sobre o processo de Dataficação que se desdobra do processo de Digitalização, que há quatro décadas se chamou de informatização.
Ciclo petro-econômico como elemento de análise da geoeconomia e geopolítica do petróleo e da energia
A ideia (não chamo de conceito) dos “ciclos petro-econômicos” fez parte das interpretações da minha pesquisa (tese) de doutoramento quando, entre outras análises, busquei demonstrar como os preços dessa mercadoria especial influenciam e são influenciados pelas relações de poder, pelos conflitos regionais e geopolíticos e pela imposição imperial.
Rios de dinheiro obtidos com essa renda petroleira passaram a alimentar fundos financeiros (soberanos ou privados), diversos outros setores da economia e também a incentivar uma ciranda financeira que passou a ter o dólar (petrodólar) como moeda de transação, a partir de um acordo EUA e Arábia Saudita em substituição ao padrão dólar-ouro.
O petróleo é consumido em todo o mundo, mas produzido por poucas nações, onde o potencial de conflitos é permanente. A circulação de petróleo cru e/ou seus milhares de derivados envolve o uso dos dutos (pipelines) e/ou milhares de navios petroleiros (granéis) que são cada vez maiores e levam à circulação dessa energia móvel como combustível ou outros derivados.
A despeito de todo o avanço das ações e dos debates em torno da transição energética, dos renováveis e da necessidade de enfrentamento dos graves problemas climáticos, o petróleo como "mercadoria especial", sua renda e riqueza, continuam elementos-chave e estratégicos na geoeconomia e geopolítica contemporâneas, como a guerra EUA e Israel x Irã estão novamente comprovando, com impacto nos fluxos e nos preços do barril de petróleo e todos os seus derivados.
Até a década de 1970 do século passado, o preço do barril oscilava pouco e era relativamente barato até que a criação da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), a independência e superação da condição de colônia das nações produtoras, levou ao 1º Choque do petróleo em 1973. Logo após, na década de 1980, ao 2º Choque do Petróleo que, não por acaso, coincide com a Revolução Islâmica no Irã e à guerra Irã x Iraque.
Daí em diante vários outros conflitos regionais foram responsáveis por novas fases de “boom e colapso” de preços, a partir dos quais se identifica a ocorrências de mais três outros ciclos petro-econômicos.
Vale observar que o período entre 2010 e 2014 é o único em toda a história que por um longo tempo (quatro anos) o preço do barril oscilou sempre acima de US$ 100 o barril, embora com picos rápidos em 2008 (crise subprime) e 2022 (guerra Otan-EUA x Rússia).
O gráfico abaixo mostra a relação entre esses conflitos regionais, alguns grandes eventos globais e as duas fases do ciclo petro-econômico entre os anos de 1970 e 2025. Esse gráfico foi produzido em 2016 para a tese, a partir de um outro publicado no site Depto de Energia dos EUA (energy.gov) em 2015.
Em 2025, o gráfico foi novamente revisto e atualizado até aquele momento, por conta de uma demanda do Observatório Socioeconômico dos Municípios Produtores de Petróleo (ObPetro) para publicação do livro “Entre a riqueza e a dependência: os dilemas do desenvolvimento nos territórios do petróleo”, organizado pelos professores Leandro Bruno (UFF) e Robson Dias (IFF) que está no prelo e em vias de ser publicado.
O gráfico atualizado como está abaixo faz parte do capítulo 1 do livro em que os organizadores me propuseram, uma década depois, revisitar o tema que ganhou o título: “Ciclo petro-econômico como elemento de análise da geoeconomia e geopolítica do petróleo e da energia”.
Porém, penso que a análise, mesmo en-passant, das fases dos ciclos petro-econômicos (CPE) anteriores como fenômeno transescalar e multidimensional, relacionados aos conflitos e guerras, se constituem e contribuem como elementos estratégicos para os debates contemporâneos da geopolítica do petróleo.
Em breve o livro estará disponível para uma leitura mais ampla sobre o tema com descrição e análises sobre a renda petrolífera, as dinâmicas das duas fases do ciclo petro-econômico, o CPE como fenômeno transescalar e multidimensional, os períodos dos quatro CPEs e as principais características das fases do CPE nas dimensões: econômica; espacial; temporal; industrial; infraestrutural; política; ambiental; geoeconômica e geopolítica.
terça-feira, fevereiro 10, 2026
"Como a tecnologia digital (não só as mídias sociais) manipula as eleições", por Reynaldo Aragon e Edem Cardim
Manipulação digital a partir da classificação dos territórios eleitorais. Eleitores são agrupados por espaços emocionais, padrões de comportamento, vulnerabilidades psicológicas e tendências de engajamento nas mídias sociodigitais e, agora, também nas plataformas (chatbots) de IA.
Mapas ideológicos são desenhados por algoritmos que segmentam os perfis em distritos (espaços) cognitivos. Assim, se tornam presas fáceis do processo de manipulação. "Não é a realidade que molda o comportamento político, é o filtro emocional criado pelos algoritmos e ajustados por atores que pagam para direcionar, ocultar ou amplificar mensagens específicas".
Exatamente aí se situa a manipulação eleitoral utilizando-se da classificação das pessoas por territórios mentais e não físicos. Uma espécie de cartografia algorítmica.
Além de classificar e identificar quem está de um lado ou outro do espectro político, os algoritmos das midias digitais tentam direcionar a percepção política, mediante processos abstratos e opacos de manipulação que passam despercebidos pela grande maioria dos usuários das redes, vistas como, aparentemente, inofensivas.
Por isso e muito mais vale ler o artigo de Reynaldo Aragon e Edem Cardim, publicado originalmente aqui no site Código Aberto e republicado também no Portal Outras Palavras. Segundos os autores, esse esquema é muito mais perigoso do que as chamadas fake news, que efetivamente se tratam de "campanhas coordenadas de desinformação". Vale conferir na íntegra!
quinta-feira, janeiro 15, 2026
"EUA buscam a centralização do poder unipolar através de um império militar global com cerco e contenção da China e da Rússia, através da imposição pela força de novas regras do jogo com sua arbitragem final", por José Luís Fiori
Texto do professor José Luiz Fiori (UFRJ) que abre o 15º Boletim do Observatório Internacional do Século XXI (Janeiro 2026).
No caminho do caos
Por José Luiz Fiori
Na última semana de 2025,
o sistema mundial entrou em estado de hipertensão caótica. Em apenas sete dias,
e quase simultaneamente, os Estados Unidos fecharam o cerco marítimo e
proibiram a circulação aérea sobre a Venezuela, sem que os dois países
estivessem em guerra. A China cercou a ilha de Taiwan e realizou um exercício
de guerra com fogo real, incluindo a interdição de alguns segmentos de seu
espaço aéreo, em resposta às ameaças militaristas do Japão. A Ucrânia atacou a
casa do presidente russo Vladimir Putin, na região de Novgorod, utilizando 91
drones e com apoio da inteligência inglesa e norte-americana. A Rússia anunciou
que seu novo sistema de mísseis Oreshnik – indefensáveis e com capacidade
nuclear – estava pronto para uso imediato, em resposta ao ataque da Ucrânia, a
poucos minutos de distância de Berlim, Paris e Londres. Os Estados Unidos
bombardearam o território da Nigéria e anunciaram novos ataques aéreos em caso
de necessidade, segundo seu arbítrio. A Arábia Saudita bombardeou o Iêmen, sem
que houvesse declaração de guerra. Inglaterra e França bombardearam o
território da Síria sem aviso prévio. E por fim, os Estados Unidos atacaram o
território venezuelano e sequestraram seu presidente, Nicolás Maduro.
O mais impactante foi sem dúvida o rapto do presidente venezuelano, seguido – como em outros ataques américas - de um tweet de Donald Trump, contendo ameaças e difundindo o medo que é uma peça essencial no exercício do poder. Assim mesmo, o ataque em si não representa uma novidade nas relações dos EUA com a América Latina, muito menos na história do “sistema interestatal” inventado pelos europeus. Os defensores do Direito Internacional em geral falam muito pouco, ou omitem diretamente uma de suas cláusulas fundamentais, a “cláusula de exclusão de ilicitude”, que garantiu às Grandes Potências do sistema interestatal (nunca mais do que 4 ou 5) o “direito” autoatribuído e a impunidade para de atacar e invadir o território de outros países, sem respeitar o “direito à soberania” considerado como a “pedra angular” do sistema de estados nacionais consagrada pelos europeus através da chamada Paz de Westfália, assinada em 1648. A Inglaterra e a França usaram e abusaram deste “direito à invasão” nos últimos 200 anos, e acabaram de bombardear a o território da Síria, sem nenhum tipo de permissão internacional, por sua livre e exclusiva vontade. E, os Estados Unidos ingressaram neste pequeno clube dos países “com direito à invasão de terceiros”, em meados do século XIX, quando se apropriaram dos territórios mexicanos da Califórnia e do Texas, e iniciaram sua escalada imperial, após a guerra contra a Espanha, em 1898, seguida pela conquista de Cuba, Filipinas, República Dominicana, Haiti, Nicarágua, Panamá e Porto Rico – este segue até hoje sob o domínio norte-americano.
Em 1942, o geopolítico norte-americano Nicholas Spykman publicou uma obra fundamental1 para entender a estratégia internacional dos EUA depois da Segunda Guerra Mundial. Spykman sustenta teses e faz propostas geopolíticas que reaparecem a cada momento por trás do discurso aparentemente errático e confuso de Donald Trump e do seu Secretário de Estado, Marco Rubio.
Nicholas Spykman considerava que o Caribe e o Golfo do México faziam parte de um mesmo “mar interior” dos Estados Unidos, no qual Mexico, Colômbia e Venezuela deveriam estar sob dependência direta dos Estados Unidos, por razões de segurança nacional, sem necessitar de nenhum tipo de justificativa doutrinária ou ideológica. Quase a mesma ideia que reaparece textualmente na nova “Estratégia de Segurança Nacional” dos Estados Unidos, divulgada pelo governo de Donald Trump no início de dezembro de 2025.
Apesar do alvoroço em torno da questão hemisférica, amplificado pelo ataque à Venezuela, o verdadeiro interesse e o objetivo central da Nova Estratégia de Segurança dos Estados Unidos não é a América Latina, mas a conquista da Groenlândia, a destruição da União Europeia, o esvaziamento da OTAN e a proposta de um novo modus vivendi com a Rússia e a China. É possível que Donald Trump jamais tenha lido Spykman, nem conheça sua tese de que o domínio mundial dos EUA dependerá de sua capacidade de construir um cerco militar em torno da “massa continental” eurasiana. Mas não há dúvida de que este é um objetivo central da proposta de Trump, de incorporar a Groenlândia ao território norte americano, completando o cerco atômico da Rússia e da China pelo lado do Ártico, onde estaria a nova grande fronteira geopolítica e geoeconômica do mundo. Com o avanço do degelo das regiões polares, o Ártico aparece como importante “ponto de fuga” do sistema, por onde se poderá escoar a energia criada pela intensificação da luta entre as grandes potências. E onde deverão se multiplicar os novos espaços de competição entre as grandes corporações do capitalismo global.
A proposta de deslocamento ao norte da “fronteira russa” da disputa do poder global explica em boa medida o ataque demolidor da “Nova Estratégia” de Trump contra a União Europeia, contra o formato atual da OTAN e contra todos os valores cultivados pela “ética internacional” e pelo “universalismo” da cultura europeia. O novo documento fala explicitamente em devolver a Europa à sua velha condição de “mosaico” de pequenos Estados independentes e competitivos entre si, de forma a facilitar sua tutela bilateral pelos Estados Unidos.
Muitos analistas consideram que esse novo documento estratégico americano contém uma proposta implícita de construção de uma nova “ordem mundial” multipolar e multicivilizatória, sustentada por três grandes impérios ou “zonas de influência”, que seriam comandados por Estados Unidos, China e Rússia. Alguns fatos recentes, entretanto, e algumas outras realidades consolidadas parecem contradizer esta tese e reforçar uma hipótese diametralmente oposta.
Em primeiro lugar, há que ter presente que os Estados Unidos ainda são a única potência no mundo que possui e comanda uma infraestrutura militar global, com capacidade de intervenção imediata em quase todas as latitudes. Em cima disso, o presidente Trump acaba de anunciar para 2027 um aumento de 50% do orçamento militar norte-americano, no valor de 1,5 trilhão de dólares. Faz alguns meses Donald Trump já havia anunciado um programa de 830 bilhões de dólares para a criação um sistema de defesa aérea “impenetrável”, que ele chamou de Golden Dome, e um ambicioso projeto de modernização da Marinha dos Estados Unidos, o Golden Fleet, que se propõe a construir uma nova geração de navios de guerra integrando tecnologia de IA, lasers e armas hipersônicas, para garantir a supremacia marítima dos Estados Unidos.
Além disso, no dia a dia da gestão de sua política externa, Trump tem feito questão de demonstrar um poder universal de arbitragem e intervenção direta e instantânea em qualquer lugar do mundo, explicitando sua ingerência externa nos assuntos políticos nacionais de vários países. Um conjunto de decisões que não apontam para um poder compartilhado; pelo contrário, explicitam uma decisão clara de centralização do poder, e de cerco e contenção da China e da Rússia. No máximo, um oligopólio tripolar com dominância em última instancia dos Estados Unidos.
Ou seja, ao contrário do que muitos pensam, o projeto estratégico de Trump que está em pleno curso, representa uma aposta ainda mais radical na conquista unipolar de um império militar global, capaz de impor pela força as regras do jogo e a arbitragem final dos Estados Unidos, regras e arbítrio que poderão variar a cada momento, segundo os interesses e a vontade circunstancial dos Estados Unidos.
Esse projeto, entretanto, deverá provocar uma forte reação contrária da China e da Rússia, e talvez da própria Europa, e deverá estimular a multiplicação das potências atômicas ao redor do mundo. Além disso, no médio prazo, deve incentivar o uso da força em todo e qualquer conflito ou disputa regional, uma vez que a nova regra imposta pela potência dominante, é a da imposição da vontade dos mais fortes, por cima de qualquer lei ou inibição ideológica. Um caminho seguro, quase direto, na direção do caos.
Link do texto do 15º Boletim do Observatório Internacional do Século XXI que tem como título "Hipertensão e caos". Íntegra do boletim (Janeiro 2026) no link abaixo: https://nubea.ufrj.br/images/Observatorio/Boletim_15_Janeiro_2026.pdf.
quarta-feira, dezembro 10, 2025
Sua internet e seus aplicativos estão mais lentos? Merdificaram nossa internet?
Eu faço essa pergunta há alguns meses aos amigos mais próximos? A maioria responde que sim e cita exemplos, informando ainda que isso independe das redes que utilizam. Internet fixa ou móvel. Com ou sem uso de wi-fi. Em diferentes pontos do Brasil e/ou no exterior.
Uma das explicações para isso é que os fluxos de internet
aumentaram muito e isso se dá não apenas pelo aumento do nº de usuários, agora
mais residual, mas pela ampliação de uso da internet (tempo de tela) ao longo
do dia, quando são utilizados para mais finalidades e em diferentes países.
Grosso modo, a sensação é que o crescimento mais expressivo desses fluxos de dados se dão com a intensificação do uso da IA, seus chatbots ou LLM (modelo de linguagem, tipo Chat GPT, Gemini, DeepSeek, etc). O treinamento de máquina (deep learning, treinamento profundo) também para uso da IA ocupa enorme banda com captura de dados mais conteúdos para acesso aos dados armazenados e processados.
Já há alguns estudos que identificam e trazem evidências de que o uso da IA traz prejuízos para a navegação e para a internet como um todo. Entre outros exemplos empíricos, eu identifiquei um pessoal dessa enorme captura de dados através dos acessos diários e vindos do exterior a esse blog.
Os usos das diferentes IAs, mais gerais e/ou específicas, com perguntas (prompts) e diálogos geram enorme fluxo entre os usuários e os datacenters usados pela plataformas de IA. Ao contrário do que normalmente se pensa, os datacenters não são iguais e não diferem apenas pelo porte ou tamanho.
Existem os datacenters que servem basicamente para
armazenagem de dados (clouds, as famosas nuvens) e outros que
servem para treinamento de máquinas que atendem às IAs (aprendizagem profunda ou deep learning, etc.) e seus chatbots. Eles trabalham com processadores e máquinas com altas capacidades de
computacionais, porém, ambos, trabalham movimentando altos fluxos de dados que dialogam com programadores de algoritmos e com usuários de serviços digitais de diversos tipos, incluindo os chatbots de IA.
Atualmente, o ChatGPT da OpenAI tem cerca de 800 milhões de usuários no mundo (cerca de 50 milhões no Brasil, 3º maior usuário do mundo), enquanto o Gemini da Google (Alphabet) já alcançou cerca de 650 milhões. Centenas de milhões de usuários desses chatbots processam mais de 1 bilhão de consultas todos os dias. Assim, eles seguem crescendo, junto com outras IAs, tanto em número de usuários, quanto no tempo utilização, movimentando fluxos crescentes destes valiosos dados.
Os dados seguem sendo capturados em diferentes atividades humanas, da natureza, das coisas, máquinas, etc. A dataficação é um processo que se situa numa camada acima da digitalização, onde os dados além de serem extraídos, são tratados, armazenados, treinados e circulam entre os usuários da tecnologia digital e os locais onde são armazenados e buscados para serem utilizados.
É nesse contexto que os dados se transformaram em
commodities, em ativo e em capital. Dados como capital digital e como tal sua acumulação precisa sempre ser ampliada (assim como o capital), em seguidos ciclos de reprodução que leva a mais inovações
e novos mercados. Daí a IA avança para IA Generativa (Gen AI), Super AI, etc. e esse processo ajuda a explicar o gigantismo de muitas corporações de tecnologia e também a intensificação dos fluxos de dados entre os datacenters e os usuários.
Cada vez mais infraestruturas digitais são exigidas. Mais datacenters, mais cabos submarinos, mais torres para internet móvel, redes para integrar as telecomunicações e assim manter a conectividade que é questão chave nesse processo. Porém, a velocidade de instalação dessas infraestruturas se dá em tempo bem menor do que a ampliação de uso delas cada vez com maiores fluxos.
Esse link (aqui da HE 3D Network Map) mostra um mapa em 3D com o fluxo de dados entre os datacenters circulando através dos cabos submarinos em todo o planeta. Não se trata de um mapa planificado e sim o próprio globo que pode ser girado para se ver os movimentos deles entre os países e os continentes, com destaques para as redes que são espinhas dorsais (back-bone) com maiores e mais densos fluxos. Clicando nos pontos é possível identificar os datacenters, sua localização, nome, propriedade e imagem do prédio físico, assim como as informações sobre os cabos submarinos ao redor do mundo.
São imagens que ajudam a superar a visão abstrata (chamada de virtual) sobre esses fluxos que estão instaladas no território, no mundo real e não nas nuvens (clouds). As imagens dão uma boa dimensão sobre esse frenético fluxo de dados em termos dos gargalos das infraestruturas digitais, intensificado com um maior uso da IA em todo o mundo.
As IAs, mobilizam mais algoritmo e dados que uma simples busca. Para ilustrar apostagem postarei abaixo um breve vídeo dessa página do Mapa 3D para passar ao leitor uma ideia daquilo que o link oferece em termos de informações e de compreensão do fenômeno a que se está referindo.
Em síntese, nossa internet está ficando bem mais lenta. Não adianta ou adianta pouco pagar mais às operadoras por maiores velocidades de internet. O problema é mais geral. Aplicativos de bancos são um exemplo dessa lentidão e praticamente independe dos bancos. Os acessos a alguns sites jornalísticos também. Uns mais outros menos, porém na média, todos estão um pouco mais lento e parece que tendem a piorar, considerando que a implantação de novas infraestruturas se dão em velocidades menores do que a ampliação do uso. Até mesmo as redes (mídias sociais) aparecem mais lentas no carregamento de imagens e vídeos.
“Merdificação” da internet?
Essa realidade me fez lembrar o autor canadense Cory
Doctorow, em seu recente livro: “Enshittification: Whyevething Suddenly Got Worse
and What to Do About It” (Merdificação: por que tudo piorou de repente e o que
fazer a respeito). Doctorw fala que tudo na internet em especial, as redes
sociais, está ficando pior, em alguns casos bem pior. Os serviços por
plataformas digitais, os mecanismos de buscas, etc.
O autor argumenta que as grandes corporações de tecnologia se tornaram cada vez mais poderosas, assim se aproveitam do crescente número de usuários que dependem de suas plataformas (plataformização de quase tudo) e passam a aumentar suas taxas de lucros e assim arrocham clientes e parceiros na busca por mais lucros, num universo oligopolizado e quase sem competição. O resultado é a merdificação, sic. O livro do Doctorw vale ser lido e seus argumentos analisados.
O fato é que cada e-mail aberto ou enviado, um clique de
joinha, um breve comentário, foto ou vídeo postado, em sites, blogs, ou qualquer perfil das
redes sociais, um download, etc. tudo isso gera fluxo no ritmo 24/7 (horas e
dias por semana) e entopem as atuais infraestruturas digitais. Uma busca ou uma pergunta num chatbot de IA aflora o fluxo de dados.
Os investidores, capital de riscos e fundos junto com as Big
Techs cada vez se mostram dispostas a colocar mais dinheiro, mesmo diante da
ameaça do estouro da bolha de IA na construção de novos datacenters. Porém, apenas se transfere o gargalo que sai
da infraestrutura digital e tem passado para a infraestrutura de energia elétrica que
é necessária para alimentar esses Big Datas. As usinas geradoras de energia e
linhas de transmissão não têm como ser construídas de uma hora para outra,
mesmo que instaladas em quaisquer lugares do mundo onde possam, eventualmente, existirem “sobras energéticas”.
Tudo isso sem falar que onde há energia, mesmo que renovável,
pode não haver água em volume suficiente para refrigerar esses gigantes parques
de máquinas de computação (para programação algorítmica) e armazenagem de memória
de dados, sem que as comunidades nativas sejam impactadas. Assim, parece que a
merdificação vai se espalhando pelo território de forma integrada para além da internet,
através dos sistemas interligados, que muitos se acostumaram (e mal) a chamar
de ecossistema.
A digitalização, a dataficação e o avanço da tecnologia não são
um problema per si. A tecnologia digital tem trazido inúmeras vantagens que a
sociedade e as nações não querem perder, mesmo considerando que pouquíssimos
países desenvolvem as tecnologias, controlam e disputam a liderança da IA nas
fronteiras de seu desenvolvimento. Enquanto isso, outras nações têm se situado como
contumazes consumidoras digitais, colonizadas e sem soberania.
Nessa ótica, imagino que vale observar que as duas nações líderes
desse processo não se portam de maneira exatamente igual dentro do atual contexto.
[Porém, isso exige análise mais ampla]. Assim, penso que nos interstícios
desses sistemas, existem oportunidades e desafios para o Brasil e demais nações
do Sul Global.
A questão é o nível de uso, as desigualdades de acesso e, principalmente,
o controle desse sistema digital integrado, pelos maiores oligopólios da história
da humanidade, que seguem exigindo liberdade para fazer o que querem, sem nenhuma
regulação e/ou controle.
O avanço e o ciclo de desenvolvimento dessa nova onda
tecnológica não são o problema per si. O nó górdio é o velho sistema desigual e
combinado que merdificam as coisas, a natureza e as nossas relações sociais e
políticas. O que se necessita para superar essa merdificação é bem mais que
regulação, mas a luta por essa é o mapa do caminho digital, para usar outra
expressão da moda e fechar esse artigo-análise.
domingo, dezembro 07, 2025
Economia Política da Tecnologia Digital no Brasil: extrativismo Hi-Tech das Big Techs
Uma análise um pouco mais detalhada sobre os dados das receitas, impostos e remessas ao exterior realizadas pelas Big Techs no Brasil, apontam para uma enorme extração de valor e transferência de renda e também de poder político realizada por essas gigantes corporações sobre o país.
A Google e a Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp) obtêm cerca
de 40% das suas receitas nos EUA, onde se localizam as suas sedes, mas lá que
pagam aproximadamente 80% dos impostos, fora o que ainda pagam de dividendos e
lucros aos seus acionistas (fundos e grandes investidores nos EUA).
Ou seja, nos demais países, onde conseguem 60% de suas rendas
com usuários dos seus serviços, essas Big Techs pagam apenas cerca de 20% do total em impostos. E ainda
reclamam das cargas tributárias dos países mundo afora.
Em matéria na FSP, publicada hoje (07 dez. 20250, p. A28), da jornalista Patrícia Campos Melo com título e subtítulo: “Big Techs enviam mais dinheiro ao exterior, mas tributação da remessa
cai – Entre 2014 e 2024, grandes empresas de tecnologia passaram a enviar para
fora mais de metade do que ganham no Brasil, faturamento bruto das plataformas
cresceu 585%”, alguns dados reafirmam não apenas o tamanho da economia de dados e da
tecnologia digital no Brasil, como um dos maiores mercados do mundo, como também expõem o tamanho da extração que realizam no país. [1]
Em 2024, as Big Techs alcançaram R$144 bilhões em receita
bruta no Brasil e remeteram ao exterior o enorme valor de R$ 80,3 bilhões,
equivalentes a 55% da receita, valor bem superior aos R$ 2,8 bilhões
(atualizados e corrigidos) do que enviaram ao exterior há dez anos através em
2024. O pico em termos percentuais dessa remessa ao exterior se deu em 2023
quando chegou a 61,8% da receita bruta (e não a líquida que foi ainda bem maior.
Estudo encomendado à Consultoria LCA pelas próprias Big
Techs, através da associação que representa a Amazon, Google e Meta no Brasil (Câmara
Brasileira de Economia Digital), admite que recolhem apenas 16,4% de suas
receitas brutas (não líquida) em tributos.
A matéria traz ainda infográficos com dados da Receita
Federal sobre a evolução das receitas brutas totais das Big Techs entre 2014 e
2024, assim como das remessas de lucros enviadas ao exterior.
Através dele é possível identificar o valor de R$ 80,3 bilhões enviado pelas Big Techs ao exterior no ano passado (2024). Para se ter uma ideia desse volume de recursos, podemos ver que ele é aproximadamente igual ao valor dos investimentos federais do Brasil para o orçamento de 2026 (LOA) equivalente a R$ 85,5 bilhões.
É um valor colossal, espantoso. Se tabularnos os últimos 5 anos (2020 a 2024), vê-se que as remessas enviadas ao exterior somam aproximadamente R$ 260 bilhões, quase U$
50 bilhões, segundo dados da Receita Federal.
Trata-se de uma espécie de vampirismo digital ou um
extrativismo Hi-Tech que essas gigantes corporações realizam sobre a economia
de todo o país, considerando sua atuação transversal e transsetorial com amplo
espectro de atuação.
Atualmente, as Big Techs têm a proteção política de Trump que exige “liberdade” e ameaça as nações que tentam regular e tributar justamente esses oligopólios americanos.
Assim, essas gigantes corporações americanas que operam como plataformas-raiz, estabelecem o que temos chamado de dominação tecnológica que explica a formação desses maiores oligopólios da história da humanidade, articulados e controlados sob a lógica da hegemonia financeira em processos de assetização realizados pelas gestoras dos grandes fundos globais. Há que se impor limites para essa extração de valor.
Referência:
[1] Folha de São Paulo. Patrícia Campos Melo em 07 dez. 2025, p. A28. Big Techs enviam mais dinheiro ao exterior, mas tributação da remessa cai – Entre 2014 e 2024, grandes empresas de tecnologia passaram a enviar para fora mais de metade do que ganham no Brasil, faturamento bruto das plataformas cresceu 585%. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/12/parcela-do-faturamento-das-big-techs-remetida-ao-exterior-aumenta-323-enquanto-taxacao-de-remessas-cai-73.shtml





